10 de novembro de 2017

Vai abaixo, mas salvam-se os tanques...

Vista parcial da antiga Fábrica de Curtumes da Caldeiroa, na manhã de hoje.

A mesma vista, hoje ao início da tarde.

Quando a proposta de extensão da área de Guimarães classificada como Património Mundial aos arrabaldes de Couros prossegue o seu caminho na UNESCO, avança a destruição de património arqueológico da velha indústria dos couros de Guimarães, por caprichosa e muito mal explicada decisão dos nossos responsáveis políticos locais. A antiga Fábrica de Curtumes da Caldeiroa já começou a ser demolida. Todo o complexo fabril vai abaixo, mas consta que se vão salvar os tanques de curtimenta, que ficarão irremediavelmente descontextualizados e desprovidos de interesse patrimonial. Porquê? Porque sim. Porque lhes deu para aí. Ou então, porque os acham giros, assim como acham giras as luzinhas dos chineses que emolduram as muralhas, a Torre da Alfândega e outros edifícios do Centro Histórico de Guimarães. Cá por mim, já que estamos em maré verde, estava capaz de sugerir que fizessem daqueles tanques um manifesto à biodiversidade e à modernidade, enchendo-os de água, pondo neles peixinhos vermelhos e nenúfares (por mim, até podem ser de plástico, que sempre duram mais tempo e não têm custos de manutenção) e rãs de louça das Caldas. Isto sem esquecer os indispensáveis anões de jardim e outros artefactos que tais. Depois, para conferir profundidade e espessura intelectual à obra, baptizavam-na com um nome qualquer em inglês, e diziam que era uma manifestação de Environmental Art ou Site Specific Art. E estava feito, a custos módicos. Era sucesso garantido, com direito ao reconhecimento e à medalha da ordem.

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