31 de julho de 2017

Não vale tudo


O Domingos é de Pinheiro, o André de Pevidém, o José Manuel nasceu em S. Sebastião e o Wladimir veio de muito mais longe. São candidatos à presidência da Câmara Municipal de Guimarães, por diferentes forças políticas. Tenho divergências políticas em relação a todos eles, em diferentes graus, consoante os assuntos. Mas posso dizer, sem receio de desmentido dos próprios, que, não obstante o que nos separa, todos são meus amigos, de diferentes maneiras. No meio do muito que os separa há algo de primordial que os une: são todos vimaranenses. Cada um deles é um dos nossos. Era bom que isto não fosse esquecido, nestes tempos de combate político.
Defendo que o debate político deve ser intenso e sem falinhas mansas. Mas deve mover-se, permanentemente, no terreno da discussão das ideias, dos projectos e dos actos políticos, mas nunca das pessoas.
É certo que, nos tempos que correm, como noutros, nem tudo é bonito no combate eleitoral. Em parte, já se faz nas chamadas redes sociais, que é território muitas vezes mal frequentado e pouco recomendável, povoado de jagunços e de perfis falsos ou ocultos que desempenham a missão de fazer o trabalho sujo a que outros se escusam a meter as mãos. Quanto a isto, há pouco a fazer. No entanto, os que têm responsabilidades políticas têm a obrigação de tentar fazer alguma coisa pela elevação da discussão política, dando o exemplo e abstendo-se de alimentar jogos rasteiros de baixa política, que são especialmente perniciosos no quadro local de um meio pequeno, em que todos somos vizinhos uns dos outros, como é o caso de Guimarães. A política não é o vale-tudo.
Não concebo a discussão política sem paixão, vigor e frontalidade, mas sem romper com o compromisso com a ética, a civilidade e o respeito pelos adversários.
Vem isto a propósito de um post na página pessoal do Facebook de alguém que me habituei a respeitar e que é conhecido como próximo do atual presidente da Câmara Municipal de Guimarães, de quem se diz ser um dos conselheiros que mais escuta. Esse post é um ataque de uma violência inaudita a um dos candidatos à Câmara Municipal de Guimarães, que não nomeia, mas que qualquer um percebe logo ser dirigido a André Coelho Lima. É um ataque especialmente gratuito, injustificado e sem fundamento, porque visa a pessoa, a sua origem familiar, o seu percurso profissional, o seu carácter. Um ataque, tecido de afirmações e insinuações, que não honra quem o profere. Uma catilinária manifestamente ofensiva que, mais do que desrespeitar aquele a quem se dirige, desrespeita o que a profere e aquele a quem apoia.
É público que não apoio a candidatura de André Coelho Lima e que tenho combatido frontalmente, e continuarei a combater, alguns dos projectos que tem para Guimarães. Não partilho os fundamentos da sua ideia de cidade. Não lhe darei o meu voto, mas isso não me impede de lhe dar a minha solidariedade pessoal, depois da agressão desbragada e injusta de que foi alvo.
O que melhor se ajusta à situação que aqui me trouxe já foi escrito por José João Torrinha, no discurso clarividente que proferiu na cerimónia comemorativa do 25 de Abril deste ano, cuja leitura, na íntegra, recomendo aos que, de vez em quando, não resistem ao deslisar do pé para a chinela:
O ataque pessoal, ad hominem, desde sempre que foi um cancro de qualquer disputa política, mas atualmente quase que parece que falham outros argumentos que não esses quando se quer ganhar eleições.

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